Se você perdeu, e estáferido,
Algum ente seu querido,
Não retires da gaveta,
Aquelas desgastadas fotos senis.
Pense, tentes analisar,
O que você, hoje crescido,
Aquela mãe ou pai querido,
Construiu estes anos todos,
Em cotidiano repetido.
Pergunte você mesmo,
Com grande profundidade:
"O que tenho de parecido,
Com aquele que se foi ?"
De mãos dadas caminhamos,
E naquele momento não percebia,
Estava tão alegre e feliz !
Para que anotaria,
Com tinta e papel,
O que no coração, em meio às fibras,
Estava sendo gravado em amor ?
Se isto eu fizesse,
A caneta ou a lápis,
Em agenda ou bloco pautado,
Os folguedos perderia,
Ao lado do ente amado.
Chores só hoje, amanhã ria,
Esta perdida companhia,
Naqueles momentos de euforia.
Dos passos juntos, em sincronia,
Que no chão ritmados,
Ecoavam na rua,
Lembre-se com alegria.
Não percebes, na sua agonia,
Em sua saudade e lágrimas,
Que ele está aí contigo ?
Em corpo aquele, aquela,
Correspondia a um único indivíduo,
Mas agora, dentro de ti,
Em experiências mil se desdobra.
Se tanto antes reclamavas,
Quando este contigo ralhava,
Aos brados, em alta voz,
Como não o ouves agora ?
Até em seu corpo único,
Tens a metade do código,
Daquele que se foi.
Seus ouvidos ainda o ouvem,
Teus olhos ainda o veem.
Não precisas, oh você que ficou,
Abrir os teus baús,
Revolver suas canastras,
Pois impresso no seu íntimo,
Bem vivo, bem pungente,
Teu pai, tio ou avô,
Mãe, tia ou avó,
Guardados no lugar que importa:
A sua memória mortal.
Então faça o mesmo e grava,
Na memória de seus filhos, agora,
Para que tenham o que lembrar,
Quando você for embora.
Bernardo Meyer (Jul/2014)
terça-feira, 8 de julho de 2014
Reticências e palavras efêmeras
Preenchas com Sabedoria,
As frases que não ouso acabar,
Assim como um músico,
As pausas faz tocar.
Mesmo o silêncio de um olhar
Tem sujeito e predicado.
Certas palavras perdem a beleza,
Se eu, mesmo sincero, tiver que falar.
Não queiras com seu ouvido,
Certas verdades constatar,
Para que queres que eu confesse,
O que já muito claro está no ar ?
Até os pássaros ao voar,
Fazem que vão avançar,
Mas no momento certo,
Antes que fossemao longe estar,
Dão meia volta, seguem o líder,
Para ensinar aos homens que,
Em determinado ponto do vôo,
Devem dali voltar.
Onde as palavras poderiam entrar,
Em ardente rebuliço,
Uma pausa, um descanso,
Dará, eugaranto, muito o que pensar.
Ao invés de dizer:
"Olhe para mim,
Quero te dizer uma coisa".
Posso dizer simplesmente:
"Olhe fundo nos meus olhos",
E isto lhedirá tudo.
Assim são as reticências,
As pausas, os descansos,
As esperas, as músicas.
É nelas que a Sabedoria coloca,
Nos espaços, nos silêncios,
As verdades que não se dizem.
Bernardo Meyer (Jul/2014)
As frases que não ouso acabar,
Assim como um músico,
As pausas faz tocar.
Mesmo o silêncio de um olhar
Tem sujeito e predicado.
Certas palavras perdem a beleza,
Se eu, mesmo sincero, tiver que falar.
Não queiras com seu ouvido,
Certas verdades constatar,
Para que queres que eu confesse,
O que já muito claro está no ar ?
Até os pássaros ao voar,
Fazem que vão avançar,
Mas no momento certo,
Antes que fossemao longe estar,
Dão meia volta, seguem o líder,
Para ensinar aos homens que,
Em determinado ponto do vôo,
Devem dali voltar.
Onde as palavras poderiam entrar,
Em ardente rebuliço,
Uma pausa, um descanso,
Dará, eugaranto, muito o que pensar.
Ao invés de dizer:
"Olhe para mim,
Quero te dizer uma coisa".
Posso dizer simplesmente:
"Olhe fundo nos meus olhos",
E isto lhedirá tudo.
Assim são as reticências,
As pausas, os descansos,
As esperas, as músicas.
É nelas que a Sabedoria coloca,
Nos espaços, nos silêncios,
As verdades que não se dizem.
Bernardo Meyer (Jul/2014)
quarta-feira, 2 de julho de 2014
O Homem Bom
O homem, que ironia,
Em sua mente ingênua,
Crê piamente que é bom,
Em sua mente vazia.
Dizem, e que contradição,
Que mesmo imerso em pecados,
Este ser sem coração,
Inventou o Deus que criou o ingrato.
Que lógica é esta,
Você que me ouve, irmão.
O mal criou o bem,
Este Ser onipotente e poderoso.
Que eu saiba, o mal,
Destruidor e venal,
Só concebe em sua mente,
Alguém que lhe seja igual.
Homem, examine detidamente,
O que vai em seu peito,
Você é realmente,
Santo assim deste jeito ?
No jornal e na televisão,
Vejo-te eu praticares o bem ?
Você, bondoso (há, há) então,
De verdade ajuda alguém ?
Pergunta ao seu espelho,
De noite, após um dia,
Soueste santo dourado,
Que tanto eu queria ?
Não me venha com bazófias,
Pois eu bem te conheço,
Preocupas mesmo é com ti mesmo,
E com teu umbigo,
E com teu estômago,
E com teu sucesso,
Homo sapiens hipócrita,
Homem bom de araque.
Bernardo (Jun/2014)
Em sua mente ingênua,
Crê piamente que é bom,
Em sua mente vazia.
Dizem, e que contradição,
Que mesmo imerso em pecados,
Este ser sem coração,
Inventou o Deus que criou o ingrato.
Que lógica é esta,
Você que me ouve, irmão.
O mal criou o bem,
Este Ser onipotente e poderoso.
Que eu saiba, o mal,
Destruidor e venal,
Só concebe em sua mente,
Alguém que lhe seja igual.
Homem, examine detidamente,
O que vai em seu peito,
Você é realmente,
Santo assim deste jeito ?
No jornal e na televisão,
Vejo-te eu praticares o bem ?
Você, bondoso (há, há) então,
De verdade ajuda alguém ?
Pergunta ao seu espelho,
De noite, após um dia,
Soueste santo dourado,
Que tanto eu queria ?
Não me venha com bazófias,
Pois eu bem te conheço,
Preocupas mesmo é com ti mesmo,
E com teu umbigo,
E com teu estômago,
E com teu sucesso,
Homo sapiens hipócrita,
Homem bom de araque.
Bernardo (Jun/2014)
terça-feira, 1 de julho de 2014
À sociedade
O que queres de mim,
Oh, grande organismo vivo,
O que pedes insistente,
Me tirando a paz.
Já consumo o que geras,
Com seu apetite voraz,
Faço odes em voz alta,
De suas virtudes duvidosas,
De seus caprichos ambíguos.
Andas sempre em convulsão,
É grande seu desejo monetário,
Enlouqueces seus filhos,
Limpas a sujeira visível,
Escondes seus propósitos obscuros.
O medíocre exaltas e aplaude,
Ele joga teu jogo,
Ele faz a tua vontade,
Assim no Planalto, como na praia,
Acho que eu mesmo,
Por preguiça e lassidão,
Vou na fila como gado,
Imitando a multidão.
Tu jogas algumas moedas,
Que os tolos catam com fome,
Agradecidos como pombos,
Comendo migalhas na praça.
Quero, da minha casa tranquilo,
Entrar e sair contente,
Com uma, duas ou três,
Sacolas cheias na mão,
Trazendo o meu suado sustento.
O que queres mais de mim ?
Coloco em teu cofre os impostos,
Ando em suas ruas e becos,
Sou honrado cidadão,
Não jogo papel no chão.
Eleges os teus queridos,
Os políticos robôs,
Todos falam a mesma coisa,
Saúde, educação e justiça,
Acham que são melhores,
Mas muitas cópias tiveram.
Consomem o luxo da indústria,
Soltam rojão e balão,
Em breve comerão a terra,
Esquecidos, sujos e podres.
Vivem bem nesta vida,
Comem do creme e do pão,
Sentam na espuma macia,
Nem pernas usam para andar,
Há muito se afastaram do chão,
Nas nuvens estão a voar.
E eu, inseto pequeno,
Vou em seis pernas andando,
Invisível e sorrateiro,
Pelo menos, deste jeito,
Este monstro invejosos,
Não me ameaça cobrar.
Mas que ilusão essa que disse,
Até o seis pernas do lado,
Imitando o grande monstro,
Quer ter o que eu tenho,
De olho gordo cobiça,
Minhas sacolas de compras.
O que queres mais de mim?
Dizes que faço pouco !
Já aguento muito chato,
Perniciosos, invejosos e loucos.
Convivo com bipolares,
Ouço os tagarelas,
Suporto neuróticos,
Obedeço humanos.
Ainda tem gente enganada,
Que acha que o homem é bom,
Que não precisa de Deus,
Com a boca escancarada.
Vou fazer, e concluo,
Tal qual a maioria,
Vou seguir a minha vida,
Tu, de quem falo, te viras.
Sociedade doente,
Monstro demente,
Leviatã inclemente,
Sempre, sempre presente.
Bernardo Meyer (Jun/2014)
Oh, grande organismo vivo,
O que pedes insistente,
Me tirando a paz.
Já consumo o que geras,
Com seu apetite voraz,
Faço odes em voz alta,
De suas virtudes duvidosas,
De seus caprichos ambíguos.
Andas sempre em convulsão,
É grande seu desejo monetário,
Enlouqueces seus filhos,
Limpas a sujeira visível,
Escondes seus propósitos obscuros.
O medíocre exaltas e aplaude,
Ele joga teu jogo,
Ele faz a tua vontade,
Assim no Planalto, como na praia,
Acho que eu mesmo,
Por preguiça e lassidão,
Vou na fila como gado,
Imitando a multidão.
Tu jogas algumas moedas,
Que os tolos catam com fome,
Agradecidos como pombos,
Comendo migalhas na praça.
Quero, da minha casa tranquilo,
Entrar e sair contente,
Com uma, duas ou três,
Sacolas cheias na mão,
Trazendo o meu suado sustento.
O que queres mais de mim ?
Coloco em teu cofre os impostos,
Ando em suas ruas e becos,
Sou honrado cidadão,
Não jogo papel no chão.
Eleges os teus queridos,
Os políticos robôs,
Todos falam a mesma coisa,
Saúde, educação e justiça,
Acham que são melhores,
Mas muitas cópias tiveram.
Consomem o luxo da indústria,
Soltam rojão e balão,
Em breve comerão a terra,
Esquecidos, sujos e podres.
Vivem bem nesta vida,
Comem do creme e do pão,
Sentam na espuma macia,
Nem pernas usam para andar,
Há muito se afastaram do chão,
Nas nuvens estão a voar.
E eu, inseto pequeno,
Vou em seis pernas andando,
Invisível e sorrateiro,
Pelo menos, deste jeito,
Este monstro invejosos,
Não me ameaça cobrar.
Mas que ilusão essa que disse,
Até o seis pernas do lado,
Imitando o grande monstro,
Quer ter o que eu tenho,
De olho gordo cobiça,
Minhas sacolas de compras.
O que queres mais de mim?
Dizes que faço pouco !
Já aguento muito chato,
Perniciosos, invejosos e loucos.
Convivo com bipolares,
Ouço os tagarelas,
Suporto neuróticos,
Obedeço humanos.
Ainda tem gente enganada,
Que acha que o homem é bom,
Que não precisa de Deus,
Com a boca escancarada.
Vou fazer, e concluo,
Tal qual a maioria,
Vou seguir a minha vida,
Tu, de quem falo, te viras.
Sociedade doente,
Monstro demente,
Leviatã inclemente,
Sempre, sempre presente.
Bernardo Meyer (Jun/2014)
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