Sou homem afortunado
Respiro um ar perfumado
Me apoio num bom convívio
Isento de solidão
A Riqueza que usufruo
Eu reparto, não possuo
Liberdade sem companhia
É realmente servidão
Pois a alma sozinha
Vive é numa prisão
O que setem e o que se dá
Realmente sem lucro
É fruto do amor
E o egoísta e o louco
Só pode oferecer a dor
Quando se vive com alguém
A pessoa se torna rica
Talvez até sem um vintém
Pois ri, conversa e divide
Dá e enriquece
Anda e fica mais disposta (a légua de acompanhado)
Compartilha e aumenta
Pois nada da vida é nosso
Já nascemos em zero
Morremos com pelo menos um
Tudo o que pouco existe
É feito invisivelmente de muito
Nossos olhos não vêem mas sabem
O que parece parado
Tem tudo em movimento constante
Mas o homem se fia nos seus olhos
Assim é o amor de Dois
Parece pouco, parado, pobre
Insignificante, sem valor
Mas é cheio do que ainda
Não sabemos contar, nem medir,
Nem ver, nem cheirar, nem dividir
Amor é dois de vista
E só um para quem o vive
É como uma multidão em torno,
É como a Via Láctea,
De longe uma só mancha,
De perto um mar de pontos
Quem ama é jardineiro,
É astrônomo, é banqueiro,
É matemático, é médico,
É bombeiro, é pedreiro,
É desenhista e pintor,
É marceneiro, é cozinheiro,
É aluno e professor
Quem ama tem tudo.
Bernardo Meyer (12/06/2014)
Nenhum comentário:
Postar um comentário