Há muito que se foi,
Lutou, viu, participou,
Lutou, construiu, trabalhou,
Sorriu, chorou, comprou,
Não juntou muito, e gerou
(o mais importante)
Entregou-se à labuta,
Como única opção.
Que mais podia fazer,
Tendo uma e mais três,
Para guardar e dar de comer.
Não tinha herança,
Em berço nobre não nasceu.
Veio de outro país,
Queriam seus compatriotas,
Em meio a uma guerra,
Sua vida ceifar,sua alma supimir,
Seu povo exterminar.
E aqui, na bela terra,
Gente estranha encontrou,
Mas dentre elas uma desposou,
Não sei ao certo se e o quanto,
Esta estrangeira prá ele,
Realmente amou.
Não importa, somos todos mais um.
E dele da escolhida, de dois veio mais três,
Pois como a árvoredo campo,
O que tem o Homo Sapiens de melhor,
É esta capacidade de frutificar,
Uma armadilha da natureza,
Um dia me disseram,
Para preservar a espécie humana.
(Esta tendência inegável em que,
Juntou dois, se dão a mãos,
Logo estão aos beijos,
Juntos logo vão morar)
E súbito surge a prole,
Miúda ou numerosa,
Como elefantes, ou como coelhos.
Naquele tempo do fiado,
Do armarinho e do tintureiro,
A casa precisava ser grande,
Para tanto coelho viver.
Mas ao Pai, então, voltemos.
Olha, o homem de terno,
(Naquele tempo era assim,
Respeito era vestir-se bem)
De dia ia, de noite voltava,
Dava uma bronca, soltava um sorriso,
Dava um beijo, dava um tapa,
Em equilíbrio paternal,
Não como pensamos,
Mas como deve ser.
Quando deu por si,
Não olhava para baixo,
E sim alçava os olhos,
Quando tinha que nos corrigir.
Lembro-me até de uma idade,
Em que nos burramente queríamos,
Ensinar ao patriarca,
Como as coisas deviam ser.
É que a jovialidade em sua loucura,
Orgulhosa e altiva, voluntariosa e tola,
Queria ser a dona da casa,
Não compreendia a vida dura.
Há, há, (risos),
Lembro-me de te dizer,
Meu grande pai querido,
Que tu não sabias de nada,
Eu é que tinha razão,
Oh, meu pai cansado e abatido.
Agora, um pouco crescido,
Com filho e esposa esperando,
É que vejo claramente,
O que foi o ocorrido.
Pois acontece comigo,
Em ciclo interminável,
Em saga repetida nas eras,
O pequeno tornado grande,
O irresponsável tornado um senhor,
O menino tornado pai.
Bernardo Meyer (Jun/14)
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